Média foi de quatro casos por dia, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública. A cada 9 minutos, uma mulher ou menina foi estuprada no país no período.
No primeiro semestre deste ano, 699 mulheres foram vítimas de feminicídio, o que significa quatro casos por dia. Segundo dados divulgados nesta quarta-feira pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, os crimes de estupro também aumentaram. A alta foi de 12,5% em relação a igual período de 2021, com 29.285 vítimas - em média, uma menina ou mulher foi estuprada a cada nove minutos e 74,7% foram registrados como estupro de vulnerável, quando as vítimas são incapazes de consentir o ato sexual.
Se considerados os últimos quatro anos, o número de feminicídio cresceu 10,8% apenas na comparação entre os primeiros semestres. Samira Bueno, diretora-executiva do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, afirma que a violência aumentou ao mesmo tempo em que o investimento em políticas públicas de prevenção e enfrentamento à violência de gênero foi deliberadamente reduzido pelo governo. Ela lembra que o aumento do feminicídio contrasta com a redução nos homicídios, que estão em queda desde 2018. “Mais do que nunca, está clara a necessidade de o novo governo apresentar alternativas para recuperar o tempo perdido”, diz Samira.
Dados do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc) mostram que os recursos investidos pelo governo federal em programas para enfrentamento da violência contra a mulher foram de R$ 5 milhões este ano - o menor valor dos últimos quatro anos.
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Assassinatos de mulheres crescem enquanto governo federal reduz verba
para programas de enfrentamento à violência de gênero (Foto: Reprodução/Hermes de Paula)
O maior crescimento do feminicídio nos últimos quatro anos ocorreu na região Norte, de 75%, seguida pelo Centro-Oeste, com alta de 29,9%. No Sudeste o aumento foi de 8,6% e no Nordeste, de 1%. Apenas na região Sul houve queda, de 1,7%.
Em 16 estados o feminicídio aumentou ou se manteve estável. Os estados com mais assassinatos deste tipo foram Rondônia (225%), Tocantins (233,3%) e Amapá (200%). Em 11 estados houve redução, com as maiores quedas em Roraima (50%), Distrito Federal (42,9%) e Alagoas (42,3%). Em São Paulo, a queda foi de 11,8%.
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Uma pesquisa divulgada também nesta quarta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostrou que uma a cada cinco mulheres acreditam que têm chance média ou alta de ser vítima de crime sexual. Na maioria dos crimes, a percepção de risco é maior para mulheres em relação à dos homens. Em apenas dois tipos de crimes há mais receio entre os homens do que entre as mulheres: ser vítima de violência policial ou de ser confundido pela polícia com bandido.
A violência contra a mulher voltou aos patamares antes da pandemia de Covid-19, período em que ocorreu aumento de subnotificação de vários crimes. O Fórum ressalta que durante o isolamento social houve diminuição do acesso às delegacias e serviços de denúncia e escolas, que têm papel fundamental na proteção das crianças vítimas de violência sexual.

Fotos: Reprodução
Samira diz que o desafio do novo governo é "restabelecer o entendimento da desigualdade de gênero e poder como elementos centrais para compreensão das violências sofridas por meninas e mulheres, cis, trans e travestis" e que diferentes ministérios e secretarias precisam ser envolvidos no projeto.
Fonte: Com informações do Portal O Globo
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